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Modelo de Drexler-sibbet: Como Construir Equipas Passo a Passo

Há um padrão que aparece com frequência em processos de desenvolvimento de liderança: o líder sabe que a equipa não está a render o que podia, mas não consegue identificar...

Sérgio Salino 14 de agosto de 2026 19 min read
Modelo de Drexler-sibbet: Como Construir Equipas Passo a Passo

Há um padrão que aparece com frequência em processos de desenvolvimento de liderança: o líder sabe que a equipa não está a render o que podia, mas não consegue identificar onde está o problema. Há esforço. Há reuniões. Há trabalho feito. Mas algo trava a performance colectiva — uma fricção difusa que ninguém consegue nomear com precisão. A gestão de equipas torna-se, nesse momento, um exercício de intuição em vez de diagnóstico.

O problema não é falta de dedicação. É falta de mapa. A maioria dos líderes sabe que as equipas passam por fases de desenvolvimento, mas não tem uma ferramenta concreta para identificar em que fase está a equipa — e, sobretudo, o que está a bloquear a progressão.

O Drexler-Sibbet Team Performance Model foi construído exactamente para isso. É um framework de 7 fases que funciona simultaneamente como diagnóstico e roteiro de desenvolvimento — não descreve apenas o que acontece nas equipas, mas ajuda o líder a perceber onde intervir e como. Neste artigo, vais encontrar uma análise detalhada de cada fase, perguntas de diagnóstico práticas e três contextos concretos de aplicação.

O Que É o Modelo Drexler-Sibbet (e Porque Importa)

O Drexler-Sibbet Team Performance Model foi desenvolvido por Allan Drexler e David Sibbet no final dos anos 80 e publicado formalmente em 1988. A sua origem não está na teoria organizacional abstracta — está na observação directa de como as equipas realmente funcionam, com todos os bloqueios, regressões e saltos que isso implica. O modelo foi construído a partir de investigação empírica sobre dinâmica de grupos, e essa raiz prática é visível na sua estrutura.

O framework organiza o desenvolvimento de uma equipa em 7 fases divididas em duas metades distintas. As primeiras quatro fases dizem respeito à criação da equipa — como ela se forma, ganha identidade e alinha propósito. As últimas três focam-se na sustentação da performance — como a equipa executa, atinge resultados excepcionais e se renova ao longo do tempo. Esta distinção é fundamental: muitos líderes gerem a fase de sustentação sem terem resolvido as questões da fase de criação, e pagam esse preço em conflitos, desalinhamento e resultados abaixo do potencial.

Comparado com o modelo de Tuckman — que já explorámos noutro artigo do blog e que continua a ser uma referência útil para compreender as fases lineares de desenvolvimento de equipas — o Drexler-Sibbet é mais granular e, sobretudo, mais prescritivo. Tuckman descreve o que acontece; Drexler-Sibbet diz onde a equipa está bloqueada e o que é necessário para desbloquear. São ferramentas complementares, não concorrentes.

O modelo é representado visualmente como um mapa — o chamado Team Performance Map — o que o torna particularmente útil em workshops e sessões de facilitação com equipas. O artefacto visual permite que os próprios membros da equipa se posicionem no mapa e discutam, com uma linguagem comum, onde sentem que a equipa está a funcionar bem e onde sentem bloqueio.

Quando Usar Este Modelo

O Drexler-Sibbet é especialmente adequado em quatro contextos:

  • Formação de novas equipas — para estruturar as primeiras semanas de forma intencional, em vez de deixar que a equipa se forme por inércia.
  • Diagnóstico de equipas existentes que estagnaram — quando a equipa funciona mas não cresce, e o líder precisa de identificar o ponto de bloqueio.
  • Contextos de mudança organizacional — fusões, reestruturações, integração de novos membros em equipas estabelecidas.
  • Facilitação de workshops de equipa — como artefacto visual que estrutura a conversa e devolve à equipa uma linguagem partilhada sobre o seu próprio desenvolvimento.

As 7 Fases do Modelo — Da Formação à Renovação

Cada fase do modelo tem uma questão-chave que a equipa está a tentar resolver. Quando essa questão está resolvida, a equipa avança. Quando está bloqueada, a equipa fica presa — mesmo que continue a trabalhar. A investigação em dinâmica de equipas, nomeadamente o trabalho de J. Richard Hackman sobre as condições para equipas eficazes e os estudos de Amy Edmondson sobre segurança psicológica, suporta a ideia de que equipas bloqueadas nas fases iniciais raramente atingem alta performance de forma sustentada, independentemente do talento individual dos seus membros.

Aqui estão as 7 fases, com os sinais práticos que podes observar como líder:

Fase 1 — Orientação: "Porque estamos aqui?"

Resolvida: A equipa tem um propósito claro e partilhado. Os membros percebem porque existem como equipa e o que se espera deles. Bloqueada: Há desorientação, desconfiança em relação ao projecto ou à liderança, e falta de sentido de pertença. Sinais observáveis: membros que questionam frequentemente a relevância do projecto; baixo envolvimento nas primeiras reuniões; perguntas sobre "quem decidiu isto e porquê".

Fase 2 — Confiança: "Quem és tu?"

Resolvida: As relações são abertas, há vulnerabilidade segura e os membros sentem que podem ser honestos sem consequências negativas. Bloqueada: Prudência excessiva, comunicação superficial, ausência de discordância genuína — o que Patrick Lencioni identificaria como ausência de conflito produtivo. Sinais observáveis: reuniões onde toda a gente concorda com tudo; conversas reais que acontecem fora das reuniões formais; relutância em partilhar dificuldades. Se quiseres aprofundar este tema, o artigo Como Construir Confiança em Equipas: Framework Científico em 5 Dimensões oferece um mapa detalhado das dimensões da confiança em contexto de equipa.

Fase 3 — Clareza de Objetivos: "O que estamos a fazer?"

Resolvida: A visão e as metas estão alinhadas — não apenas comunicadas, mas verdadeiramente compreendidas e aceites por todos. Bloqueada: Apatia, confusão sobre prioridades, membros que trabalham em direcções ligeiramente diferentes sem perceber. Sinais observáveis: entregas que não correspondem ao esperado; membros que definem o sucesso do projecto de formas distintas; energia baixa em torno dos objectivos.

Fase 4 — Compromisso: "Como vamos fazer?"

Resolvida: Os papéis estão claros, os planos foram acordados e há responsabilização mútua. Bloqueada: Resistência passiva, falta de responsabilização, decisões que se repetem sem serem implementadas. Sinais observáveis: tarefas que ficam por fazer sem que ninguém as reclame; reuniões de follow-up onde os mesmos pontos reaparecem; membros que esperam instruções em vez de tomarem iniciativa.

Fase 5 — Implementação: "Quem faz o quê, quando e como?"

Resolvida: A execução é fluida, a interdependência funciona e os membros coordenam-se com eficiência. Bloqueada: Conflitos de processo, desalinhamento operacional, duplicação de esforços ou lacunas de responsabilidade. Sinais observáveis: conflitos frequentes sobre "quem devia ter feito o quê"; atrasos recorrentes; sensação de que a equipa está sempre a apagar fogos. A Matriz de Delegação SMART-D pode ser uma ferramenta útil para estruturar a clareza de responsabilidades nesta fase.

Fase 6 — Alta Performance: "Uau!"

Resolvida: A equipa atinge sinergia real — os resultados são consistentemente acima do esperado, há inovação espontânea e os membros amplificam as capacidades uns dos outros. Bloqueada: Sobrecarga, perda de foco colectivo, ou uma equipa que atingiu um pico e não sabe como sustentá-lo. Sinais observáveis: burnout nos membros mais comprometidos; sensação de que a equipa está a correr mas sem direcção; criatividade que desaparece sob pressão de entrega.

Fase 7 — Renovação: "Porquê continuar?"

Resolvida: A equipa adapta-se, reconhece as suas conquistas e encontra novas fontes de propósito e energia. Bloqueada: Esgotamento, saída de membros-chave, perda de propósito colectivo, rotina que substitui a ambição. Sinais observáveis: aumento de rotatividade; membros que cumprem o mínimo sem se envolverem; ausência de conversas sobre o futuro da equipa. O tema do pensamento grupal torna-se particularmente relevante nesta fase — equipas que não se renovam tendem a fechar-se sobre si mesmas e a perder a capacidade crítica.

Como Diagnosticar em Que Fase a Tua Equipa Está

O diagnóstico não precisa de ser complexo. Uma forma simples e eficaz de usar o modelo é pedir a cada membro da equipa que avalie, numa escala de 1 a 5, a questão-chave de cada fase. O 1 significa "isto está completamente por resolver" e o 5 significa "isto está sólido e não é uma preocupação". Podes fazer este exercício numa reunião de equipa ou em conversas one-to-one — ambos os formatos têm valor, e os resultados tendem a ser diferentes, o que por si só é informação útil.

As perguntas de diagnóstico para cada fase são:

  • Fase 1 — Orientação: "Tenho clareza sobre porque esta equipa existe e qual é o meu papel nela?" (1–5)
  • Fase 2 — Confiança: "Sinto que posso ser honesto com os meus colegas de equipa sem receio de consequências negativas?" (1–5)
  • Fase 3 — Clareza de Objetivos: "Sei exactamente o que esta equipa está a tentar alcançar e o que define sucesso?" (1–5)
  • Fase 4 — Compromisso: "O meu papel e as minhas responsabilidades estão claramente definidos e acordados?" (1–5)
  • Fase 5 — Implementação: "A equipa coordena-se bem no dia-a-dia, sem conflitos de processo recorrentes?" (1–5)
  • Fase 6 — Alta Performance: "A equipa produz resultados que nenhum de nós conseguiria individualmente?" (1–5)
  • Fase 7 — Renovação: "A equipa adapta-se, aprende e encontra energia para continuar a crescer?" (1–5)

A interpretação é directa: a fase com pontuação mais baixa é provavelmente onde a equipa está bloqueada — e é aí que o líder deve intervir primeiro. Não faz sentido trabalhar a Fase 6 quando a Fase 2 está em colapso.

Sinais de Alerta por Fase

Sinais de Bloqueio — Referência Rápida

  • Fase 1: A equipa questiona frequentemente o propósito do projecto ou parece desligada das decisões da liderança.
  • Fase 2: As reuniões são demasiado cordiais — não há discordância genuína, apenas concordância superficial.
  • Fase 3: Membros diferentes descrevem o objectivo da equipa de formas distintas quando questionados individualmente.
  • Fase 4: As mesmas decisões são tomadas repetidamente sem serem implementadas; ninguém reclama a responsabilidade.
  • Fase 5: Conflitos frequentes sobre "quem devia ter feito o quê"; atrasos recorrentes sem causa clara.
  • Fase 6: Os membros mais comprometidos mostram sinais de esgotamento; a criatividade desaparece sob pressão.
  • Fase 7: Aumento de rotatividade; conversas sobre o futuro da equipa são evitadas ou inexistentes.

Num cenário típico de equipa recém-formada após uma reestruturação organizacional, é comum observar bloqueio simultâneo nas Fases 2 e 3. Os membros não se conhecem suficientemente para confiar uns nos outros, e os objectivos do novo departamento ainda não foram claramente comunicados pela liderança. O resultado é uma equipa que trabalha com esforço mas sem coesão — e que raramente atinge o seu potencial colectivo sem intervenção deliberada nessas duas fases.

Como Usar o Modelo na Prática — 3 Contextos de Aplicação

1. Onboarding de Novas Equipas

As primeiras semanas de vida de uma equipa são determinantes. A investigação de Amy Edmondson sobre segurança psicológica mostra que os padrões de interacção estabelecidos cedo tendem a persistir — para o bem e para o mal. O Drexler-Sibbet oferece um roteiro para estruturar esse período de forma intencional.

As fases mais críticas neste contexto são a Orientação e a Confiança. Uma sessão de kick-off bem estruturada deve responder explicitamente às questões dessas duas fases: porque existe esta equipa, o que se espera de cada membro, e como vamos trabalhar juntos. Não como formalidade burocrática, mas como conversa genuína.

Ferramentas práticas para este contexto incluem contratos de equipa — documentos simples onde a equipa define as suas normas de funcionamento, valores partilhados e expectativas mútuas — e rituais de apresentação com profundidade real, que vão além do nome e cargo. Perguntas como "o que precisas dos teus colegas para dares o teu melhor" ou "qual é a tua maior preocupação neste projecto" activam a Fase 2 de forma muito mais eficaz do que qualquer dinâmica de team building superficial. Para uma perspectiva mais abrangente sobre o que realmente funciona neste domínio, o artigo Team Building que Funciona: Ciência e Prática em 6 Etapas aprofunda a evidência por detrás das abordagens mais eficazes.

2. Diagnóstico de Equipas Estagnadas

Este é provavelmente o contexto onde o Drexler-Sibbet tem maior valor diferenciador. Quando uma equipa funciona mas não cresce — quando há competência individual mas não há performance colectiva — o modelo oferece uma linguagem para nomear o problema e um mapa para o resolver.

A metodologia mais eficaz neste contexto é um workshop de 90 minutos com a equipa, usando as questões-chave de cada fase como ponto de partida. O facilitador (ou o próprio líder, se tiver a maturidade para se separar do papel de avaliado) apresenta o mapa, pede a cada membro que avalie cada fase individualmente, e depois abre a discussão sobre os padrões que emergem. O objectivo não é chegar a um consenso forçado, mas identificar onde há divergência de percepções — porque essa divergência é, em si mesma, informação diagnóstica valiosa.

Uma nota importante: em equipas estagnadas, o bloqueio raramente está onde o líder pensa que está. É comum que um líder identifique o problema na Fase 5 (implementação) quando o bloqueio real está na Fase 2 (confiança) ou na Fase 3 (clareza de objectivos). O modelo ajuda a não tratar sintomas quando a causa está a montante. Este tipo de diagnóstico é também relevante para identificar talentos que estão subaproveitados precisamente porque a equipa não criou as condições para que se expressem — um tema que o artigo Como Identificar e Desenvolver Talentos Ocultos na sua Equipa explora em detalhe.

3. Facilitação de Workshops de Equipa

O Team Performance Map — a representação visual do modelo — é um artefacto de facilitação poderoso. Quando projectado numa sala ou impresso em formato de trabalho, permite que a equipa se posicione literalmente no mapa e discuta, com uma linguagem comum, onde está e para onde quer ir.

O papel do líder neste contexto é diferente do papel de facilitador externo. Um líder que facilita o seu próprio workshop de equipa tem a vantagem do contexto e da relação, mas tem a desvantagem de ser parte do sistema que está a ser diagnosticado. Quando o bloqueio está nas Fases 1 ou 2 — e o líder é parte da causa — a facilitação externa torna-se não apenas útil, mas necessária para que a conversa seja genuína. Em programas de desenvolvimento de liderança na Tribo de Líderes, este é um padrão recorrente: líderes que chegam com a intenção de "resolver a equipa" e percebem, no processo, que o diagnóstico começa por eles próprios.

Drexler-Sibbet vs. Outros Modelos de Desenvolvimento de Equipas

Não há um modelo universalmente superior — há o modelo mais adequado ao contexto e ao objectivo do líder. Mas vale a pena perceber o que distingue o Drexler-Sibbet das outras referências mais comuns.

O modelo de Tuckman (Forming-Storming-Norming-Performing-Adjourning) é o mais conhecido e continua a ser uma referência útil para compreender a progressão natural das equipas. É linear, intuitivo e fácil de comunicar. A sua limitação é que é essencialmente descritivo — diz o que acontece, mas não oferece um mapa de diagnóstico para identificar onde a equipa está bloqueada nem o que fazer para desbloquear.

O modelo de Hackman, desenvolvido por J. Richard Hackman a partir de décadas de investigação em psicologia organizacional, foca-se nas condições estruturais que permitem que as equipas sejam eficazes — uma equipa real com fronteiras claras, uma direcção convincente, uma estrutura que facilita o trabalho, um contexto de suporte e coaching adequado. É menos sequencial e mais focado nas condições de contexto do que nas fases de desenvolvimento. É especialmente útil para líderes que precisam de desenhar ou redesenhar a estrutura de uma equipa.

O Drexler-Sibbet ocupa um espaço diferente: é simultaneamente sequencial e diagnóstico, distingue explicitamente entre a fase de criação e a fase de sustentação, e é suficientemente granular para identificar bloqueios específicos. É o modelo mais adequado quando o líder precisa de um mapa de diagnóstico concreto — não apenas de uma descrição de fases ou de uma lista de condições estruturais.

Em muitas organizações, a abordagem mais robusta combina os três: Hackman para desenhar as condições de contexto, Tuckman para compreender a progressão natural, e Drexler-Sibbet para diagnosticar bloqueios específicos e intervir com precisão.

O Papel do Líder em Cada Fase — O Que Muda

Uma das implicações mais importantes do modelo Drexler-Sibbet é que o papel do líder não é estático. Muda consoante a fase em que a equipa se encontra — e líderes que não fazem essa adaptação tendem a ser eficazes numa fase e contraproducentes noutra.

Nas Fases 1 a 4 (criação da equipa), o líder tem um papel mais directivo e estruturante. É ele quem cria o contexto, clarifica o propósito, estabelece as condições para a confiança e define os papéis e responsabilidades. Não porque a equipa não seja capaz de o fazer, mas porque a equipa ainda não tem a coesão suficiente para se auto-organizar de forma eficaz. Tentar ser demasiado participativo nesta fase pode criar ambiguidade onde é necessária clareza.

Nas Fases 5 a 7 (sustentação da performance), o papel do líder muda para facilitador e suporte. A equipa já tem coesão, clareza e compromisso — o que precisa agora é de espaço para executar, reconhecimento das suas contribuições e um líder que remove obstáculos em vez de criar novos. Continuar a ser directivo nesta fase é contraproducente: sufoca a autonomia e a inovação que caracterizam as equipas de alta performance. Esta progressão tem paralelos claros com os princípios da liderança situacional, que explorámos noutros contextos do blog.

A Armadilha Mais Comum — Saltar Fases

O erro mais frequente que os líderes cometem com equipas — e que o modelo Drexler-Sibbet torna visível de forma imediata — é tentar acelerar para a Fase 5 (Implementação) sem ter resolvido as Fases 1 a 3. A pressão de entrega é real, os prazos existem, e a tentação de "começar a fazer" antes de "acabar de alinhar" é compreensível.

O resultado é previsível: execução sem alinhamento, conflitos de processo que se repetem, falta de responsabilização e uma equipa que trabalha muito mas produz menos do que podia. É como construir um edifício a partir do segundo andar — parece mais rápido no início, mas o colapso é inevitável quando a estrutura não tem fundação.

Num padrão recorrente observado em programas de desenvolvimento de liderança, os líderes que saltam fases não o fazem por negligência — fazem-no porque não têm um mapa que lhes mostre o que estão a saltar. O Drexler-Sibbet resolve exactamente esse problema: torna visível o que estava invisível e devolve ao líder a clareza sobre onde investir o seu tempo e atenção.

Perguntas Frequentes

O que é o modelo Drexler-Sibbet Team Performance Model?

É um framework visual de 7 fases que descreve como as equipas se formam, ganham coesão e atingem alta performance. Cada fase tem uma questão-chave que a equipa precisa de resolver antes de avançar para a seguinte. O modelo divide-se em duas metades: as primeiras quatro fases focam-se na criação da equipa — orientação, confiança, clareza de objectivos e compromisso — e as últimas três focam-se na sustentação da performance — implementação, alta performance e renovação. Foi desenvolvido por Allan Drexler e David Sibbet nos anos 80 a partir de investigação empírica sobre dinâmica de grupos, e é representado visualmente como um mapa que pode ser usado em workshops e sessões de facilitação.

Qual a diferença entre o modelo Drexler-Sibbet e o modelo de Tuckman?

O modelo de Tuckman descreve fases lineares de desenvolvimento de equipas — forming, storming, norming, performing e adjourning — de forma intuitiva e fácil de comunicar. É essencialmente descritivo: explica o que acontece nas equipas ao longo do tempo. O Drexler-Sibbet é mais granular, com 7 fases e questões específicas para cada uma, e distingue explicitamente entre a fase de criação da equipa e a fase de sustentação da performance. A diferença mais importante é que o Drexler-Sibbet é prescritivo e diagnóstico: não apenas descreve o que acontece, mas ajuda o líder a identificar onde a equipa está bloqueada e o que é necessário para desbloquear. Os dois modelos são complementares — Tuckman oferece uma visão geral da progressão, Drexler-Sibbet oferece um mapa de diagnóstico mais preciso.

Como usar o modelo Drexler-Sibbet na prática com uma equipa?

O framework pode ser usado como ferramenta de diagnóstico em workshops, reuniões de equipa ou processos de onboarding. Uma abordagem simples é pedir a cada membro que avalie, numa escala de 1 a 5, a questão-chave de cada uma das 7 fases — e depois discutir em grupo os padrões que emergem. A fase com pontuação mais baixa é provavelmente onde a equipa está bloqueada, e é aí que o líder deve intervir primeiro. Em contextos de maior complexidade ou quando o bloqueio envolve a própria liderança, faz sentido trazer um facilitador externo para garantir que a conversa é genuína e que todos os membros se sentem seguros para participar com honestidade.

O modelo Drexler-Sibbet serve para equipas remotas ou híbridas?

Sim. As questões-chave de cada fase — confiança, clareza de objectivos, compromisso, implementação — são universais e aplicam-se independentemente do formato de trabalho. O que muda em contextos remotos ou híbridos não é a relevância das fases, mas a dificuldade de as resolver. Fases como Orientação e Confiança exigem atenção redobrada por parte do líder quando a equipa não partilha o mesmo espaço físico, porque os momentos informais que naturalmente constroem relação e clareza em contexto presencial não acontecem de forma espontânea à distância. O líder precisa de criar deliberadamente as condições para que essas fases sejam resolvidas — através de rituais de equipa, check-ins regulares e sessões de alinhamento estruturadas.

Conclusão

O Drexler-Sibbet Team Performance Model não é mais uma teoria de gestão de equipas para conhecer e arquivar. É um mapa de diagnóstico que devolve ao líder algo concreto: a clareza sobre onde intervir. Em vez de gerir por intuição — sentindo que algo não está certo mas sem saber onde —, o líder passa a ter uma linguagem e uma estrutura para nomear o problema e agir sobre ele.

Equipas de alta performance não acontecem por acidente. Acontecem quando o líder sabe em que fase está a equipa, reconhece os sinais de bloqueio em cada fase e tem a disciplina de resolver as questões fundamentais antes de avançar para as seguintes. Saltar fases é sempre tentador. O custo raramente é imediato — mas é sempre real.

Se queres uma visão mais abrangente dos pilares que sustentam equipas de excelência, o artigo Como Construir Equipas de Alta Performance: Framework em 6 Pilares oferece o contexto estratégico onde este modelo se insere. O Drexler-Sibbet é uma das lentes — poderosa, precisa e accionável. Mas é uma lente dentro de um quadro mais amplo.

A pergunta que fica: se pedisses hoje à tua equipa que avaliasse as 7 fases numa escala de 1 a 5, em que fase achas que a pontuação seria mais baixa — e o que estás a fazer em relação a isso?

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Sérgio Salino
Sérgio Salino

Fundador · Fellow do Institute of Leadership (UK)

Formador, consultor e provocador profissional em liderança e inteligência emocional. Criou o modelo TSO® e o LeaderSigna®.

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