Este guia aborda Porquê a Maioria das Equipas Nunca Sai da Fase Storming de forma prática e rigorosa. O objetivo é dar aos líderes uma visão clara do problema, dos sinais a observar e das ferramentas que podem aplicar nas suas equipas, sem recorrer a casos individuais ou histórias pessoais não verificadas.
Bruce Tuckman identificou quatro fases no desenvolvimento de equipas: Forming, Storming, Norming e Performing. Mas aqui está o que ele não nos disse: a transição do Storming para o Norming não acontece naturalmente. Requer intervenção deliberada, coragem para enfrentar dinâmicas desconfortáveis e, acima de tudo, uma compreensão profunda do que realmente mantém as equipas presas no conflito.
Depois de anos a trabalhar em gestão de equipas, descobri que não são os conflitos em si que destroem as equipas — é a forma como os evitamos, gerimos mal ou deixamos que se tornem tóxicos. E isso tem tudo a ver com quatro erros críticos que a maioria dos líderes comete sem sequer se aperceber.
O que é a fase Storming no modelo de Tuckman?
É a segunda fase de desenvolvimento de equipas, caracterizada por conflitos, competição interna e resistência à liderança. É onde muitas equipas ficam bloqueadas permanentemente, nunca conseguindo evoluir para a colaboração genuína. Nesta fase, as pessoas começam a mostrar as suas verdadeiras personalidades e opiniões, o que inevitavelmente gera tensões que precisam de ser navegadas construtivamente.
Como identificar se uma equipa está presa na fase Storming?
Sinais incluem conflitos recorrentes sobre os mesmos temas, baixa colaboração espontânea, decisões que não se implementam efetivamente, e membros que evitam responsabilidade partilhada. Também é comum ver comunicação indireta, resistência passiva a mudanças, e uma atmosfera onde as pessoas são educadas mas não genuinamente conectadas. Se as reuniões se arrastam sem conclusões claras e há sempre alguém que "esquece" de cumprir compromissos, provavelmente estão no Storming.
Quanto tempo deve durar a fase Storming numa equipa?
Normalmente 2-6 meses para equipas novas, mas equipas maduras podem regredir ao Storming durante mudanças organizacionais ou conflitos não resolvidos. O tempo depende muito da intervenção consciente da liderança e da vontade da equipa para abordar os conflitos construtivamente. Sem intervenção deliberada, algumas equipas ficam presas no Storming durante anos, desenvolvendo uma cultura disfuncional que se torna cada vez mais difícil de mudar.
Olhando para trás, percebo que as equipas que conseguem sair do Storming têm uma coisa em comum: alguém — normalmente o líder, mas nem sempre — teve a coragem de nomear o elefante na sala. De reconhecer que os conflitos existem e que precisam de ser abordados de frente, com compaixão mas sem compromissos.
A verdade é que a maioria das equipas nunca sai da fase Storming porque nunca ninguém lhes ensinou como fazê-lo. Assumimos que a colaboração é natural, quando na realidade é uma competência que precisa de ser desenvolvida deliberadamente.
Se estás a liderar uma equipa neste momento, pergunta-te: que tipo de conflitos estão a repetir-se? Que conversas estão a ser evitadas? Que dinâmicas não oficiais estão a influenciar o funcionamento da equipa? As respostas a estas perguntas podem ser o primeiro passo para finalmente sair do Storming e construir algo verdadeiramente extraordinário.
Porque no final, as melhores equipas não são aquelas que nunca têm conflitos — são aquelas que aprenderam a transformar conflitos em crescimento, tensões em criatividade, e diferenças em força coletiva.